O acordar


Como te dizer…que hoje voltaram a correr lágrimas no meu rosto…porque hoje…voltei a lembrar-me de ti…e o céu azul escureceu…os meus olhos ficaram manchados de sal…as palavras…essas meu amor…estão marcadas pela saudade e permanecerão para sempre dentro de mim…fechadas nas minhas mãos vazias…junto com os meus sonhos…neste vazio imenso…nesta solidão que nos uniu…na distância que nos afastou…neste rio que corre triste no meu peito…no tempo que se esgota…e passa roubando-me todos os sonhos…
Como te dizer que neste amor me encontrei e me perdi…que amei a tua sombra…na paisagem escura do meu desassossego…na noite que me envolve e que é a cinza de todos os dias.
Como te dizer que apenas queria um pedacinho de céu…a luz de uma estrela…apenas uma doce despedida da claridade…aquela com que alumiaste por momentos a minha escuridão…essa que nos uniu e que permanecerá para sempre.
Como te dizer que as tuas palavras, eram a volúpia das minhas emoções…tatuadas a fogo no meu corpo…que os poemas que escorriam dos nossos dedos…eram a melodia que alimentava a nossa alma…eram a nudez que incendiava a noite…mistérios de sombra e luz…acordes perfumados de sonhos inconscientes…lirios brancos que se vestiram de solidão.
Como te dizer meu amor…que estás tatuada em mim…que a tua sombra é a minha sombra…que a minha dor é eterna…que a obscuridade do meu corpo é o teu respirar…que tu és o momento e eu o instante do meu vazio…que eu sou a ausência e tu o silêncio…que eu sou o sonho e tu a noite que me devasta e me rouba ao tempo…o fogo que me queima a alma…o mar que me escorre dos olhos.
Como te dizer que se te esquecer…me esqueço…que o meu corpo dorme exausto no chão…que dentro de mim te guardo…no silêncio das minhas mãos…no espelho estilhaçado do meu olhar…na lágrima que escorre da minha solidão…como te dizer que foste o meu sonho amargo e suave…que a ausência das tuas mãos é o silêncio com que te escrevo…a saudade onde te guardo…a escuridão onde te abraço…que o meu futuro é apenas um encontro com o frio das madrugadas de denso nevoeiro…que todo o meu passado foi uma sombra do que sonhei…uma verdade que não imaginei…um futuro que é vazio…um encontro com a noite de todas as noites…como te dizer meu amor…que morri.
Morri meu amor…morri em ti…tão cansado de mim
Fechei as portas aos sonhos…tirei a esperança à vida
Fiquei tão só…tão perdido meu amor…perdido de ti
Fui um instante…foste um momento…uma ferida
Fui gaivota por te saber ausente…procurei-te no mar
Seja eu a eterna quimera…seja eu o amanhecer da terra
Por te saber presente…parti de mim…mas desejei ficar
Fui sonho…onda ou maresia…fui em ti flor singela
No cansaço dos dias…talvez te espere ainda meu amor
Antes de adormecer…talvez te procure…no anoitecer
Na minha solidão…talvez te procure no sorriso da dor
Talvez te procure ainda…num doce e suave amanhecer
Se ouvires o silêncio…sou eu meu amor a chamar-te
Se sentires no teu corpo calor…é o meu que te quer
Se sentires os teus olhos chorarem…sou eu a olhar-te
Se ouvires um lamento…são os meus braços…

Amem e sejam verdadeiros para quem vos Ama…Sol Poente

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About hcorreia2003

Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente infeliz, dilacerado pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar vivo é sensacional.
Esta entrada foi publicada em amor, Lua, Estrelas & Sol, Mar, O meu Livro, Paixão, poemas de amor, saudades, Sem categoria, Solidao, Sonhos. ligação permanente.

One Response to O acordar

  1. Isabel Santos diz:

    Lindo, fantástico, excelente!
    Parabéns amigo e bem haja por esta partilha!

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