Mais uma vez…


Mais uma vez

Sempre é uma boa hora para fazer sua grande mudança, ainda que as malas não estejam prontas para tamanha viagem. Se hei de percorrer fronteiras, desejo ser capaz de enfrentá-las melhor que de costume… Pois me entrego sempre no final do último tempo.
Sempre tive dentro de minha alma grandes sonhos protegidos por meu coração, o qual ninguém penetrava e conhecia. Mas faltou-me ar no dia em que meus olhos cruzaram aos teus, multicoloridos. Que durante o dia diziam-me que a esperança, como no ditado, não morreria jamais. Mas ao cair das luzes, teus olhos adormeciam e escureciam como uma noite sem estrelas. Sem entender o porque, eu apreciava o dançar de tuas pupilas que se dilatavam e contraíam, seguia seus sorrisos nervosos que pareciam de alegria. Meus lábios se moviam também, eu me sentia contagiada, sempre. Ao menos que eu soubesse que o sorriso de lado, dos dentes largos, me faria tanto mal. Durantes séculos que se passaram em meses, minhas alucinantes viradas de relógio pertenceram somente a ti, não houvera 24 horas sequer que não me fizeste sorrir. Sentia-me apaixonada e para cada badalada um grama a mais de paixão. Teus lábios cheios de vida e cor, através dos meus tão simples e carentes, chegavam em meu coração tão ligeiro como ninguém fora capaz de fazer em 15 anos de viver. Talvez porque ali dentro de mim, não estivesse o mesmo “EU” dos 14 para tras. Voava mesmo sem asas, e quando havia algum caminho que me parecia muito extenso, procurava-te, porque contigo era um prazer toda caminhada que mesmo sem destino, me levava ao céu.
Aquele jeito estranho e engraçado, o cheiro de matinho queimado, os olhos de ressaca amassados, o corpo tão magro, faziam parte de um sonho do qual eu nunca gostaria de ter imaginado. Havia quem julgasse este meu Amor, diziam que eu sofreria no futuro quando descobrisse o motivo daquele jeito alienado. E entendesse que então meu Amor era mais que isso, obsessão. Que maluqueira, eu era apaixonada e não me arrependeria disto jamais.
Naquele instante senti a dor de um Amor perfurando meu coração e penetrando minhas veias até chegar em minha alma. Desta vez sim eu havia me largado em mãos alheias, deixei que alguém entrasse aonde guardava os sonhos mais secretos, no fundo de minha essência. E quando pensei que ia valer a pena ao nosso Amor ser fiel, o descobri nos vícios, ao léu.
Lutei, enfrentei, chorei e enfim, não agüentei. A covardia deitou em meus braços, nua e crua, sem mais nem menos. Aquele cheiro de mato queimado que tanto me agradava se manteve presente em um pedaço de papel enrolado com uma erva proibida. À medida que a fumaça se aproximava de minha boca, meus sonhos se afastavam de minha alma, lentamente. E em segundos me senti como o meu Amor, leve e alegre, com pupilas dançantes, fome e a boca seca. Que sensação no mundo seria mais incrível que a liberdade? Pela primeira vez em minha vida eu voei de verdade (…).

“Hoje, juro ter vergonha de dizer até que ponto eu fui capaz de chegar e me arrependo imensamente por um dia desandar. Fui procurar uma prova para mim, no fundo do poço… Ignorando todos os perigos e sacrifícios. Fui fraca, me deixei levar. Mas tenho orgulho de dizer que no fim de tudo, eu venci. E não conquistei minha vitória sozinha. Pude contar com todos os meus amigos que excomunguei por achar que não queriam meu bem. Pude contar mais ainda com minha família, aquela quem eu enganei e destratei. Pude contar com o meu verdadeiro amor, que esteve comigo desde a infância e estará comigo eternamente. Com o auxilio do meu Deus que jamais esqueceu ou vendou seus olhos para os problemas que passei, a minha protecção, a minha união. Eu agradeço simplesmente por ter saído do buraco em que me encontrei e hoje poder levar comigo uma bagagem com tudo que aprendi, e ter o discernimento do que é certo, do que é errado, e do que jamais deve ser cometido. Agradeço, sobretudo, ter de volta os sonhos meus, que perdi durante a caminhada”.

Quantos de vos se perdem, se perderam, ou deixam que os vossos se percam…

Não deixem que vos roubem os sonhos de viverem…

 

Hc Poesias ®

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About hcorreia2003

Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente infeliz, dilacerado pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar vivo é sensacional.
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